Oito Canções, Oito Países

As canções são como pedacinho de papel. São papelotes. São mensagens que entregamos a alguém, um segredinho, uma receita, um pedido, uma descoberta. Oito canções serão, então, oito pedacinhos. Descobrir o ínfimo, louvar o mínimo, celebrar o momento, estar por momentos num presente.

As Oito Canções, Oito Países que compus há alguns anos (poucos, se bem me quero lembrar) para os Meninos Cantores do Município da Trofa, são molduras pequeninas para poemas de gente muito grande: Xanana Gusmão, Mia Couto, Olinda Beja, Ondjaki, Francisco Conduto Pina, Regina Borato, Sophia de Mello Breyner e Abraão Vicente, uiuiui…! Gente grande, esta. Tudo a tentar falar-se numa mesma língua, do que ficou a unir-nos.

As Oito Canções, Oito Países, fazem agora uma viagem memorável. Os pedacinhos de papel lusófono vão atravessar o mar e ouvir-se de novo. Onde? Na ONU, em Nova Iorque. Porquê? Porque há um Dia Mundial da Língua Portuguesa e a Língua Portuguesa chega até lá, ouve-se lá, fala-se lá e canta-se lá.

E eu tão feliz com isso. Os pedacinhos de papel que os Meninos gravaram, já, e cantaram, já, regressam às gargantas e ouvidos. Eu vou ficar deste lado do oceano – que vejo agora mesmo, desta janela florida – a ouvi-los do lado de lá, junto ao Atlântico. Ou então, encosto o ouvido a um búzio consertado pelo Amílcar e fico a ouvir os Meninos seguindo os gestos das mãos da Antónia, essa eterna encantadora de vozes que insistem em ser puras.

Boa viagem, Meninos       

(na foto de 2017, na companhia de Antónia Serra e Mia Couto)