ópera

ópera, s.f.

A crescente complexificação da escrita vocal polifónica e contrapontística provoca um desejo também crescente de reencontrar a clareza da palavra. Em Florença, a corte do conde Bardi, começava a discutir a questão e defendia o madrigal simplificado, capaz de realçar a palavra e a voz. Jacopo Peri foi incumbido de musicar um texto sobre o mito de Daphne e seguidamente, dado o aparente sucesso deste, aquela que se considera como a primeira ópera, de nome Eurídice.
De Veneza chegarão, porém, os primeiros marcos definidores do estilo, com as criações de Monteverdi, nomeadamente o Orfeu – por evidentes motivos, simbólico para a forma ópera – e depois Cavalli, Caríssimi, Cesti, e uma sucessão de autores, num impulso que rapidamente extravasou as fronteiras de Itália e chegou a França e centro da Europa.
A sua estrutura de drama per musica apela à formulação de um estilo que se queria inspirado no Teatro Grego, dada a importância dada pelo movimento renascentista a toda a estética das culturas clássicas, grega e romana. Os textos que serviram de base às primeiras óperas foram beber ao universo poético e mitológico de Ovídio ou Vergílio. Era central a figura do coro enquanto comentador das acções.
A interdisciplinaridade do género operático, permitiu-lhe, de algum modo, manter aberto um lugar artístico, mediante pequenas reconfigurações, redireccionamentos ou reequilíbrios. Refiro-me ao facto de nas suas origens, a palavra estar no centro do acto musical operático, mas depois abrir espaço para que o virtuosismo vocal passasse a ser o principal instrumento da sua popularidade, logo depois se apoiasse no drama e mais tarde, graças à sofisticação dos meios técnicos ao serviço das artes de palco, deslumbrasse com a sua potência visual.
o meu lugar na ópera é plural, laringe e cérebro, palavra e imaginação, baralhar, partir e dar de novo.